quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Alice, o coelho e eu

Na minha infância, mais precisamente quando eu tinha uns 4 anos, o natal era o momento mais esperado do ano. Nunca cheguei a acreditar em Papai Noel e, inacreditavelmente, era bom esperá-lo na noite de Natal, enquanto a família inteira se reunia para sorrir, beber e comer. O natal sempre representou alegria pra mim, mas o que eu mais gostava era poder ficar acordado até tão tarde.

O SBT sempre exibia o desenho da Alice no País das Maravilhas. Era batata! Ano após ano, uma coisa era certeza no natal, além dos pisca-piscas e da Simone cantando sua versão da música do John Lennon: A Alice iria passar no SBT. E se tinha uma coisa que sempre me encantou nesse desenho era o coelho.

Enquanto todos bebiam, sorriam e falavam alto, lá estava eu, em frente à televisão, imaginando por que aquele animal corria tão apressadamente. Sim, eu era uma criança e sempre me fazia essa pergunta. Por incrível que pareça, foi a partir desse questionamento que me surgiu uma vontade incontrolável de criar meu próprio mundo: a escrita.

Como eu nunca conseguia a resposta que eu queria, peguei um pequeno caderno, que não deveria ter mais de 100 folhas e comecei, de próprio punho, com a letra ainda meio bamba, de quem acabara de aprender a escrever, a narrar o que, em minha concepção, atrasara aquele pobre coelhinho. Escrevi o caderno inteiro, de ponta a ponta, e minha mãe foi a primeira a elogiar a história daquele pequeno garoto de 4 anos. Mas mãe é sempre mãe, né?

Queira ou não, Alice, ou o coelho, foi responsável por despertar em mim esse desejo de criar mundos onde eu pudesse fazer qualquer coisa. Hoje, se posso citar um sonho, é que uma de minhas histórias chegue aos olhos do mundo, seja por livro, filme, novela. Lendo a história do coelho, criada há 19 anos, eu percebo o que pulsava dentro daquele garotinho que, por vezes, me pergunto se ainda existe.

Nos natais, já não há mais tantas risadas como antes e, me arrisco a dizer, nem tanta comida. A família já não se reúne tanto e a televisão não exibe mais o desenho da Alice. Tá certo que a Simone ainda canta a famosa música, mas confesso, eu gosto. O garotinho ainda está ali, ainda se pergunta por que o coelho se atrasou e ele me sorri quando me encara, porque acredita fervorosamente que serei eu a lhe responder. =)

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