sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cambalacho - Episódio Piloto (2007)

O ano era 2007. Escrevi um roteiro que logo foi filmado por uma equipe de cinema amador que se chamava Paperball Productions (Pessoal muito bom, por sinal!). Apesar do roteiro simples e da pouca disponibilidade de pessoal (o que fez com que uma personagem feminina fosse interpretada por um homem), o episódio piloto de Cambalacho ficou bem simpático, a ponto da personagem principal ser escalada pra um monólogo que ficou vários dias no ranking dos mais vistos e comentados. E agora, pra matar a saudade, mostro a vocês o episódio piloto completo de Cambalacho. Roteiro de Jefferson Gomes (na época, sob o pseudônimo de Brandon Runt), Direção de Tito Ferradans.

CAMBALACHO - EPISÓDIO PILOTO

Sinopse: Marisa e Bucho são casados e começam a perceber que a situação está começando a ficar bastante complicada. Para tentar fazer o dinheiro entrar, Marisa tem a idéia de se passar por uma cartomante, mas ela não imaginava que, nesse tempo, teria que tentar converter um gay, enfrentar um sequestro relâmpago e lidar com um policial de gosto duvidoso.



A Formiga e o Elefante


Escrevi esse pequeno e singelo poema há algum tempo e, por incrível que pareça, numa dessas situações que não se explica, ele me preencheu a alma de uma maneira inexplicável, como se estivesse me acalentando ao mostrar que não importa o quanto lutemos por um amor impossível, por maior que ele seja. Pessimismo? Talvez! Realismo? Com certeza!


A Formiga e o Elefante

Inicio agora a narração
De um amor improvável
Entre um elefante fanfarrão
E uma formiga amigável.

A formiga trabalhadora
O elefante, roncador
No caminho da lavoura
Descobriram o amor.

Ela marchava em fila
Com uma folha sobre a moleira
Resolveu descansar tranquila
Sob a sombra de uma mangueira

O elefante se aproximou
E quase esmagou a formiga
Mas uma desculpa bastou
E ela logo virou sua amiga.

Mas essa amizade se transformaria
Num sentimento promissor
A convivência faria
Amizade virar amor

Mas eram tão opostos
Que esconderam o sentimento
Eles estavam dispostos
A escolher o sofrimento.

Não demoraram muitos dias
E eles logo se entregaram.
Um namoro surgia
Para surpresa dos que desacreditaram

Era um namoro sem beijo
Já que ele era tão grande e ela pequena
Eles viviam de desejo
E todos os outros, de pena.

Só que o amor era intenso
E longo tempo duraria
Mas o elefante tão tenso
Um beijo à formiga pediria.

A formiga subiu em seu rosto
e lhe deu um beijo de conto de fada
Mas para o seu desgosto
Não sentiria nem uma picada.

O elefante de repente se sentiu sozinho
E logo pôs-se a chorar
Como iria viver sem o carinho
De alguém que só sabia amar?

E a história terminaria tragicamente
Diferente de como começou
O elefante se culpou pra sempre
Por que a formiga em sua lágrima, se afogou.

A Morte é Apenas uma Viagem


Quem não sonha com o dia em que encontrará aquela pessoa que se foi e que amávamos, e ainda amamos, com tamanha intensidade? Pobres dos que não acreditam na eternidade. Era tão bom assistir "A Viagem" e me encher de esperança. Às vezes, é difícil esperar, eu sei. Mas é justamente essa espera que torna o futuro encontro tão especial.

A você que perdeu alguém, mas que ainda consegue lembrar a voz, o cheiro e, até mesmo, sentir a presença, fica a saudade e, por que não, a vontade de rever algum dia. Acreditar é simples e gratuito. É muito mais fácil fechar os os olhos e sentir a brisa no rosto que esperar a poeira irritar a córnea.

A viagem

Em algum lugar dessas terras, há um doce olhar só pra você.
Um olhar especial, de alguém especial de distantes origens..
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida, que sorri por que ama plenamente sem julgamentos, preconceitos nem distinções..

Hoje como ontem, longe desses céus, há um encantado olhar só pra você...
e nesse lugar vai pra você a magia da luz, a simplicidade do perdão,
a força para comungar uma vida.
Hoje, de algum lugar dentro de você, alguém que o amou muito e ainda o ama, diz pra você que valeu a pena ter estado nessas terras, sob estes céus,falando da paz, união, amor, perdão.

Poder sentir a força que faz você sorrir e continuar o caminho...
que um dia aquele doce olhar iniciou pra você.
Tudo isso só pra você saber que a vida continua....
E que a morte é apenas uma viagem...!!!!
 
Texto retirado da novela
"A VIAGEM"
(Ivani Ribeiro)

Medos Estranhos

  Ainda quando eu era criança, certos medos eram tão absurdos que me são incompreensíveis até hoje. A maioria deles vinha da televisão. Eu ainda não entendia o mundo em que vivia e, portanto, era a ficção que mais me assustava, ao contrário de hoje, onde a realidade me parece, a cada dia, mais inóspita.

Lembro, por exemplo, quando a novela Vamp foi exibida pela primeira vez. Era divertido sentar no chão da sala para assistir as peripécias daqueles vampiros trapalhões, mas quando Vlad, magistralmente interpretado por Ney Latorraca, aparecia para dar o ar da graça, minha mente infantil entendia como perigo e eu corria para os fundos da casa, onde me sentia protegido de ver as atrocidades do vampiro mor. É claro que algo assim servia de diversão para os adultos da casa que achavam bonitinho. Hoje, revendo Vamp, percebo como aquele meu medo era infundado, uma vez que Vlad me parece dócil e, muitas vezes, mais humano que muita gente que conheço.

Tinha ainda o incrível Hulk, que meu pai adorava assistir no antigo Cinema em Casa, ou na Sessão das Dez, na época de ouro do SBT. Eu até gostava do filme e o assistia tranquilo. Meu coração só parecia sair pela boca quando o Bruce iria se transformar no monstro verde. Era algo que me fazia quase chorar. E, novamente, eu corria para os fundos da casa, onde ficava agachado, com as mãos sobre os ouvidos e cantarolando uma música qualquer, até que a transformação passasse e eu pudesse continuar assistindo ao filme. Sim, era só a transformação que me assustava. Vai entender!

Mas o mais surpreendente vem agora. Eu tinha medo, acreditem, do Chaves. Não do Chaves em si, mas do exato momento em que ele, Chiquinha ou Quico choravam. Eu não conseguia ver. Saia correndo para os fundos e fazia o mesmo ritual da transformação do Hulk. Ninguém entendia, mas eu realmente ficava apavorado. Tanto que eu preferia assistir apenas ao Chapolin. Demorou até que o Chaves entrasse de vez na minha vida. Traumas de infância ninguém explica, mas se alguém me obrigasse a ver uma cena onde um dos três choravam, eu também choraria... só que de medo.

Enfim, crianças são criaturas que ainda não conseguiram ser explicadas pela ciência. Seu modo de pensar e agir ainda é tão puro que foge a qualquer regra. Eu tive muito medo quando criança, mas meu maior medo agora é que justamente essa pureza se extinga e que os medos estranhos e inofensivos dêem lugares a temores reais e cada vez mais assustadores, inclusive, aos adultos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Alice, o coelho e eu

Na minha infância, mais precisamente quando eu tinha uns 4 anos, o natal era o momento mais esperado do ano. Nunca cheguei a acreditar em Papai Noel e, inacreditavelmente, era bom esperá-lo na noite de Natal, enquanto a família inteira se reunia para sorrir, beber e comer. O natal sempre representou alegria pra mim, mas o que eu mais gostava era poder ficar acordado até tão tarde.

O SBT sempre exibia o desenho da Alice no País das Maravilhas. Era batata! Ano após ano, uma coisa era certeza no natal, além dos pisca-piscas e da Simone cantando sua versão da música do John Lennon: A Alice iria passar no SBT. E se tinha uma coisa que sempre me encantou nesse desenho era o coelho.

Enquanto todos bebiam, sorriam e falavam alto, lá estava eu, em frente à televisão, imaginando por que aquele animal corria tão apressadamente. Sim, eu era uma criança e sempre me fazia essa pergunta. Por incrível que pareça, foi a partir desse questionamento que me surgiu uma vontade incontrolável de criar meu próprio mundo: a escrita.

Como eu nunca conseguia a resposta que eu queria, peguei um pequeno caderno, que não deveria ter mais de 100 folhas e comecei, de próprio punho, com a letra ainda meio bamba, de quem acabara de aprender a escrever, a narrar o que, em minha concepção, atrasara aquele pobre coelhinho. Escrevi o caderno inteiro, de ponta a ponta, e minha mãe foi a primeira a elogiar a história daquele pequeno garoto de 4 anos. Mas mãe é sempre mãe, né?

Queira ou não, Alice, ou o coelho, foi responsável por despertar em mim esse desejo de criar mundos onde eu pudesse fazer qualquer coisa. Hoje, se posso citar um sonho, é que uma de minhas histórias chegue aos olhos do mundo, seja por livro, filme, novela. Lendo a história do coelho, criada há 19 anos, eu percebo o que pulsava dentro daquele garotinho que, por vezes, me pergunto se ainda existe.

Nos natais, já não há mais tantas risadas como antes e, me arrisco a dizer, nem tanta comida. A família já não se reúne tanto e a televisão não exibe mais o desenho da Alice. Tá certo que a Simone ainda canta a famosa música, mas confesso, eu gosto. O garotinho ainda está ali, ainda se pergunta por que o coelho se atrasou e ele me sorri quando me encara, porque acredita fervorosamente que serei eu a lhe responder. =)

Tudo tem um começo

Vez por outra, eu ainda me pego folheando os antigos cadernos da escola. Em meio a poeira que sobe, eu me pergunto: "Por que passou tão rápido?". É engraçado como eu sou capaz de fechar os olhos e sentir até o cheiro daquela época. Minha letra era diferente do que é hoje, talvez um pouco mais doce e redonda, cuidado que o tempo escasso já não me permite ter. Os amigos já não são os mesmos. Hoje, são mais maduros, mais duradouros, mas como não sentir saudade das conversas sem sentido, das brincadeiras quase sem graça e das implicâncias infantis?

É estranho sentir falta de um tempo onde o próprio corpo era estranho e tudo era motivo pra timidez. É ainda mais estranho sentir falta dos "primeiros dias de aula", a redescoberta, os novos colegas, o cheiro de papel chamex que a secretaria sempre pedia. Era bom ver que a cantina tinha mudado e que a quadra continuava lá pronta para a recreação. Era assustadoramente bom acordar cedo com aquela chuva fina pra ouvir ensinamentos de matemática e química. Droga, por que passou tão rápido?

É tudo muito estranho! Tanta gente passou pela minha vida, fez parte da minha história e hoje eu mal vejo. Muitos, eu nem sei por onde andam, mas alguns são inesquecíveis, eu sinto saudade. Não foi à toa que guardei esses cadernos velhos. O que sou eu senão meus pensamentos, minhas lembranças, mesmo as mais bobas? É tão bom saber que um dia fomos felizes, principalmente porque nos damos conta que basta querer e, inevitalmente, iremos voltar a ser.